Linha do Oriente

maio 8, 2011

Ao contrário das outras linhas da Umbanda, formadas por espíritos ligados às raízes do povo brasileiro, a Linha do oriente reúne espíritos de todas as partes do mundo. Esses espíritos têem em comum um altíssimo grau de desenvolvimento e uma grande capacidade de trabalhar em todas as áreas de ocultismo e alta magia, bem como nas curas espirituais.

A Linda do oriente chefiada por São João batista (24 de julho) sincretizado com Xangô. Os espíritos que a compôe se dividem em sete legiões:
. Legião dos sábios hindús e judeus, chefiada por Zartu
. Legião dos espíritos médicos e cientistas,chefiados por José de Arimatéia.
. Legião dos árabes, marroquinos eciganos, chefiados por Jimbaruê
. Legião dos chineses, japoneses, mongóis e esquimós, chefiados por Ori do Oriente.
. Legião dos egípcios, incas e astecas, chefiados por Inhoarairi.
. Legião dos índios caraíbas, chefiadas por Itaraiaci.
. legião dos romanos, gauleses e outros povos europeus, chefiados por Marcus I.

Dentre a Linha do Oriente destaca-se o Povo Cigano que, nas últimas décadas do século XX, cresceu a ponto de tornar-se objeto de devoção e culto próprio. Suas formas de trabalho espiritual são um pouco diferentes das da Umbanda tradicional: o espírito Cigano frequentemente fica ao lado do fiel, inspirando-o, mas sem incorporar. O desenvolvimento do trabalho com espírito Cigano não exige uma iniciação formal dentro de uma estrutura religiosa, pois o próprio espírito guia o fiel em um trabalho individual; também não depende de culto coletivo, sendo muito comum a devoção pessoal. Por essas razões, é comum encontrarmos pessoas que trabalham com espíritos ciganos sem fazer parte de uma casa de Umbanda.

Os espíritos ciganos trabalham com oráculos, usualmente a cartomancia, e fazem magias de amor, prosperidade, harmonia e saúde. Eles usam todas as cores do arco-íris, mas não gostam da cor preta; apreciam jóias vistosas, fitas, lenços multicores e perfumes. Seus principais objetos e símbolos mágicos são punhais, cristais, flores, frutas, espigas de trigo, moedas e cartas de baralho. São festejados no dia de Santa Sara (24 de maio), padroeira de todos os ciganos do mundo.

Pesquisa:Cantigas de Umbanda e candomblé
Organização de originais: Eneida D. Gaspar

A psicologia/Peonagem/Conceitos do Povo Yorubá.

março 26, 2011

O Yorubá é afável, e dispõe de saudações para cada ocasião, para os amigos, conhecidos, etc. O homem deve se prostar diante de uma pessoa mais velha, enquanto uma mulher deve se ajoelhar.
Saudar faz parte do código de ética, incluindo a doentes, lesados, etc. Quem não procede dessa forma é considerado uma pessoa má e que não tem sentimento com os outros. Também é mau hábito oferecer algo com a mão esquerda. Quando uma pessoa se refere ao pai ou à mãe de outro, deve dizer apenas “pai ou mãe”. Usar a expressão “sua mãe” é considerdo um insulto. Disso poderia resultar até numa briga corporal. Tão pouco se pode ofender as mulheres estéreis, Ao se discutir com uma pessoa mais idosa, deve se abaixar a cabeça , sendo-se mulher ou homem. Estou contra as opiniões dos ingleses que mal compreendido que é uma cultura como covardia e insinceridade. É errado atribuir, como o fazem os ingleses, uma aura de covardia aos costumes Yorubás. Trata-se de formalidades tradicionais.
Os Yorubás cooperam uns com os outros como podem, há um provérbio segundo o qual “quando há alguém por perto, não se gastam suas próprias energias”. Um homem que sente uma coceira nas costas pode chamar alguém da família ou amigo para ajudar.

Se um Yorubá vê uma pessoa vestida de maneira estranha, ele imediatamente informa, até pode ajudá-la a ajustar a roupa. Na Inglaterra por exemplo, o costume não permiti a um homem dizer ao outro que seu chapéu está mal colocado. Nesse particular, os Yorubás são bastantes extrorvestidos.

A hospitalidade faz parte do bom caráter de uma pessoa. É o costume para uma pessoa que está almoçando ou jantando convidar o visitante. Se a comida não for suficiente para ambos, a esposa preparará um prato adicional.

É também comum dar presentes para a família de um morto como contribuição para ritos funerais. Presentes são dados igualm,ente a uma moça quando se casa. Uma pessoa voltando de uamviagem se sente na obrigação de trazer presentes aos amigos e às famílias. Similarmente, quando uma pessoa está pronta para viajar, recebe presents de todos os lados para distribuir aqueles que encontrar. Vê-se portanto, que os Yorubás são particularmente sociáveis.

O Conceito de Propriedade

Apesar de ser frequente a solidariedade entre os Yorubás , que se manifesta no empréstimo de bens pessoais e na divisão de alimentos entre amigos, existe uma concepção clara de propriedade privada, não sendo bem visto o coletivismo. No entanto, há alguns exemplos de propriedade conjunta de terra, os quais não têm dado bons resultados devido ao individualismo do Yorubá.
Efetivamente, desde cedo é dada ao filho Yorubá a oportunidade de adquirir seus bens particulares. O dinheiro que recebe por ocasião de seu “ikojade” (aniversário) é utilizado em parte para a compra de animais domésticos. Ao crescer, o indivíduo se orgulha de possuir uma propriedade particular. Um filho que trabalha com o pai sempre recebe uma porção d terra para seu próprio benefício.
Dessa maneira, violar a propriedade constituída, desde o periodo pré-colonial, crime grave. Roubo, por exemplo, era punido por chicotadas quando realizado pela primeira vez. Na seguna vez, mutilava-se um membro do assaltantee, no mínimo, passava-se pimenta no local do corte. Muitas vezes o ladrão era vendido por sua famíia, quando seu caso fôsse crônico. Teoricamente, o roubo era condenado por pena de morte; na prática, era comutado por pena mais leve. Um indivíduo que mantivese um antigo roubo, era castigado como se fôsse o próprio ladrão. Há um provérbio Yorubá segundo o qual “o ladrão de uma garrafa de óleo de dendê não é aquele que a rouba, mas aquele que a adquire”.
Roubo de domicílio era geralmente castigado por pena de morte. Apenas os marginais pertencentes a famílias influentes tinha a possibilidade de escapara da morte, mas deviam assim mesmo abandonar a cidade para sempre.
A prática do feitiço como forma de derrubar o proprietário de um terreno é muito incomum, implicava muitas vezes em morte.

Sistema de “Iwofa”

A prática da peonagen (Iwofa) entre os Yorubás é um costume interessante. Assim o denominamos por não se assemelhar nem à escravidão nem à vassalagem em suas diversas formas. Iwofa ou peão é o indivíduo que submete a outrem como garantia de um empréstimo recebidi, até que este seja restituído com juros. O mutuário não serve apenas como garantia de empréstimo mas também produz, de forma a pagar sua dpivida. A instituição de peonagem não está restrita ao indivíduo que assume uma dpivida. O Iwofa, pode ser um filho ou um neto da família, que, esntão, passa a servir o credor e sua fam´lia, até que a dívida seja saldada com juros.
Quando Iwofa é uma mulher solteira e mora com seu patrão, este pode tomá-la como esposa para auxiliar nos trabalhos domésticos e, eventualmente na fazenda, entretanto, algumas leis protegem as mulheres do abuso sexual por parte dos patrões. Um homem que force relações com uma “Iwofa” perde o empréstimo feito em nome dela ou de sua família. Se a moça for noiva ou casada, o patrão deve pagar pelos danos ao noivo ou esposo.Por fim, se o patrão desejar casar-se com a moça agredida, deve ainda pagar o preço do matrimônio. Apesar de um escravo ser teoricamente mais rentável que um peão, a prática demonstra que o patrãpo consegue extrair masi trabalho deste, sendo a peonagem, portanto, um ótimo investimento.

Bibliografia: Ademola Adesojí – Professor de História e Costumes da Cultura do povo Yorubá.

A Magia Negra

fevereiro 20, 2011

No Brasil este termo tenha um caráter pejorativo, nefasto, nebuloso, assustador, na África a magia negra tem seus fins, a prática da Magia Negra entre os Yorubás envolve a crença em cura medicinal, envenenamentos, bruxarias, curanderismo, etc. A Magia era empregada com diversos fins tais como: feitiços para ganhar dinheiro, ter sucesso no amor, induzir pessoas ao erro, detectar veneno na comida na bebida, defesas contra armas, assaltantes, maldições, fazer chover e tantos outras magias.

Recorre-se a Magia Negra em casa de doença do filho cujo pai se encontra distante. Busca-se alguém para alcançar o pai e para trazê-lo a tempo, emprega-se uma magia negra denominada “Ka nako” (encurtamento de caminho). Assim, não há distinção nítida entre a medicina e a magia. Qualquer pessoa pode praticar medicina entre os Yorubás. Os medicamentos preparados por médicos nativos são purgativos e, quase sempre, eficazes. Conhecem-se incluisve muitos métodos de tratamento da blenorragia…

Toda “oogun” (magia Negra) se baseia na botânica, como indica seu nome alternativo “egbogi” (raiz árvore) e na zoologia, devido às difilculdades de tradução, seria despropositado citar os diferentes tipos de doenças curadas através de Magia Negra e os ingredientes empregados com valor medicinal, entretanto, pode-se dizer que quando praticam como propósito de curar, a magia não pressupôe conhecimento exato de seus processos. Um indivíduo que prescreva alguns ingredientes pode não saber realmente seu mecanismo de atuaçãono organismo.

Segundo o professor Michel Ademola Adesoji, pode-se afirmar que muitas pessoas são testemunhas dos efeitos da Magia Negra, inclusive ele próprio foi vítima. Ele conta que em Ilexá, teve a oportunidade de assistir ao culto nacional a Ogun, ao qual comparessem pessoas de todos os lugares, longínquos e próximos. Ele diz que foi nessa ocasião que presenciou os efeitos da Magia Negra, já que, neste dia, praticaran-na uns sobreo os outros.

Dize-se que Sìjìdì, uma imagem feita de barro, pode executar tarefas para o mestre que o construiu, à noite, a imagem mata inimigos de seu mestre, por outro lado, este deve permanecer acordado até de manhã, senão corre o risco de ser morto por sua própria criação quando retornar.

Ilê Axé Oxumare – Bahia

dezembro 3, 2010

O terreiro Ile Axé Oxumare foi fundado pelo Babalorixá Antonio de Oxumare, também conhecido como seu Antonio das Cobras, filho de santo de velhas africanas, sendo criado por tio Salacó, filho de Xangô e tio Talabi filho de Omolu. Citações bibliográficas indicam Antonio de Oxumare, ou Cobra Encantada como também era conhecido, fazendo parte de uma lista de Babalorixás/Pais de Santo de origem africana na Bahia a partir de 1875.

Há evidências, portanto que o Babalorixá Antonio de Oxumare tenha sido escravo ou viveu no período da escravidão.

Se esta suposição for confirmada o Axé Oxumare foi iniciado no século XIX e portanto alcançando atualmente a idade de 100 (cem) anos de fundação.

A fundamentação do terreiro foi feita pelos africanos Salacó e Talabi. Estes entregaram o Axé Oxumare para o senhor Antonio de Oxumare ajudando também na fundação de outros terreiros no interior da Bahia.

Originariamente o Axé Oxumare nasceu no bairro de Barris (nome este em função de que as pessoas buscavam água em barris na época). Hoje, está situado na Avenida Vasco da Gama 343, Bairro da Federação, antiga Mata Escura, Salvador, Bahia. A trasferência de sede deve-se ao fato de que o bairro de Barris começa a ter uma grande concentração da nobreza e de muçulmanos, impossibilitando assim a continuidade do axé. A data precisa da mudança de sede não se tem conhecimento, mas garante-se que Iyá Cotinha de Yewá, já fazia seus candomblés na atual sede.

Os restos mortais de tio Salacó e tio Talabi encontram-se enterrados atrás da igreja dos pretos na cidade de Cachoeira de São Félix, interior da Bahia.

Pelo estatuto e registro, a Casa de Oxumare tem origem em 1930 e foi reativada em março de 1988. É civilmente denominada Sociedade Cultural, Religiosa e Beneficente São Salvador. Como herdeira do babalorixá antonio de oxumare, assume sua Filha de santo a Iyalorixá Cotinha de Yewá cujo nome civil era Maria das Mercês e que comanda o Axé Oxumarê até 1947.

Por escolha dos Orixás, assume como sucessora de Cotinha de Yewá, a Iyalorixá Francelina do Ogun sua filha de santo até 1954.

Simpliciana da Encarnação ou Simplícia de Ogun como era conhecida recebe o Axé Oxumare das mãos de sua irmã de santo Francelina de Ogun ainda em vida.

Iyá Simplícia de Ogun com muita dignidade conduziu este legado de 1954 até 1967, até seu falecimento.

Na linhagem sucessória foi indicada dona Miudinha de Oxum que por motivos pessoais não assume o cargo.

A Casa de Oxumare fica sem atividades de 1967 a 1974.

Após 1974, a egbomy Nilzete de Iemanjá, filha biológica de Iyá Simplícia do Ogun, também escolhida pelos Orixás e por toda família Oxumare ao cargo de Iyalorixá, assume e reabre as funções da Casa de Oxumare até 1990 com grande descortino e sensibilidade, quando veio a falecer em 30.03.1990.

Com a morte da Iyalorixá Nilzete de Yemanjá, toma posse no comando da Casa de Oxumare o Babalorixá Pece de Oxumare seu filho biológico e irmão de santo, em 1990 até o presente dia.

A consangüinidade na sucessão da Casa de Oxumarê está estabelecida a partir da Iyalorixá Simplícia de Ogun .

Oficial e legalmente a Casa de Oxumarê foi regulamentada no dia 10 de setembro de 1988, quando deliberado seu estatuto, que está atualmente em vigor.

A lei municipal n. 4.159/90 dá a Casa de Oxumare o título de Utilidade Pública, sancionada pelo Poder Público Municipal Soteropolitano/Salvador. Recentemente a Lei Estadual 8.297 de 30 / 07 / 2002 declara de Utilidade Pública a Casa de Oxumare, lei esta promulgada pela Presidência da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia.

Apoios oferecidos pela Prefeitura Municipal de Salvador:

Reforma do telhado do barracão – gestão da Prefeita Lidice da Mata;
Escadarias e contenções – gestão do Prefeito Fernando Wilson Magalhães;

Informações do site da Casa do Oxumare.

Candomblé, vida e interrupção da gravidez

outubro 20, 2010

Candomblé, vida e interrupção da gravidez.
A Corte Constitucional do Brasil – STF deve enfrentar no ano de 2009 a arguiição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) nº54.
O tema é polêmico e não encontra consenso religioso, político, filosófico, médico e jurídico. Em que pese o STF decidir a favor ou em desfavor à interrupção da gravidez teremos atores sociais satisfeitos e insatisfeitos com a respeitável decisão.
Recentemente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou em 26/02/2008, para ministra Carmem Lúcia a sua discordância quanto a aprovação da legalização do aborto, baseado no Código Canônico.
Antes de uma abordagem religiosa como sacerdote no candomblé sobre qual posição a ser adotada, far-se-á uma breve e rápida apresentação jurídica dos casos em que se admite no Brasil a licitude do aborto.
Prefacilmente a definição de aborto no Brasil é entendida coma a interrupção da gravidez com a morte do produto da concepção, que pode ser o ovo, o embrião ou o feto conforme a sua evolução. Podemos classificar o aborto de acordo com a sua forma de interrupção, como o aborto espontâneo, natural, com consentimento da gestante, sem consentimento da gestante, ou o aborto provocado, sendo este último crime.
O Código penal admite e torna lícita a conduta em dois casos: 1 – quando não há outro meio para salvar a vida da gestante; 2 – se a gravidez é fruto de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante, ou quando incapaz do consentimento do representante legal.
Grifo. Ainda que pela legislação infraconstitucional o aborto seja legal é contrário as regras da lei cristã cito o Código Canônico.
Para ilustra a questão concretamente, reporta-se a um lamentável caso no estado de Pernambuco na cidade de Alagoinha, uma criança de apenas nove (9) anos de idade foi submetida à interrupção da gravidez, em razão de um estupro realizado pelo próprio padastro, logo fora internada e recebeu alta no dia 06/02/2009. No caso em tela o argumento utilizado para intervenção médica se baseou no artigo 128 do CP, inciso I e II e com o consentimento da mãe, tendo em vista, que a criança é incapaz.
Imediatamente a igreja católica de Pernambuco apoiada pelo Vaticano excomungou a equipe médica e a mãe da gestante. Para o Arcebispo Dom José o aborto um crime mais grave que o estupro. Para esquentar o confronto o pai da criança que é evangélico, também se pronunciou contrário a intervenção médica.
Contudo, alguns fiéis da igreja como o movimento feminista católico e o Presidente da República Federal do Brasil o Excelentíssimo Senhor Lula, criticaram a conduta do Arcebispo Dom José e apóiaram os médicos.
É importante esclarecer o posicionamento cristão, tendo em vista o senso IBGE 2000, que atribui o seguinte dado, 89,25% da população brasileira é cristã e isso repercute no meio social e político.
Em que pese à força do cristianismo no Brasil, o Candomblé como religião da minoria deve igualmente se manifestar em favor da vida humana e protegendo a dignidade de seus com pares. Explico!
O candomblé possui como um dos seus objetivos fundamentais a proteção da vida. Ao passo que o princípio norteador é da continuidade da vida pelos seus descendentes como perpetuação da espécie humana. Diante de uma questão difícil como o aborto o sacerdote do candomblé deve recorrer ao início de tudo, antes mesmo do nascimento com vida e antes do natimorto. Para isso devemos responder em que momento surge à vida. Prefacimente nascimento com vida é diferente do surgimento da vida.
Podemos afirmar que neste ponto o candomblé guarda semelhança com as religiões cristã. Para o candomblé a vida começa no momento da concepção, logo assumimos a teoria da concepção como fato gerador da vida humana, e a partir daqui os elementos da natureza (orixás) atua em favor do novo ori. A vida é o bem mais precioso e importante que existe, a vida movimenta o mundo, se excluírem a vida não sobra nada, falta continuidade é inóspito o ciclo vital, alias não há ciclo.
O candomblé preceitua mais do que a vida, devemos acresccer que a vida deve ser somada a dignidade humana.
Diante da questão posta temos que a interrupção da gravidez – considerando a inteligência dos princípios funda o candomblé – é permitido somente na ocorrência do plano espiritual que se materializa concretamente na gestante, daí em escrever que os abortos naturais e espontâneos possuem conformação religiosa.
Destarte, o aborto provocado e o aborto consentido não guardam identidade com o nosso axé.
Todos nós temos um destino a cumprir e devemos realizar nosso odú. Eu como sacerdote não posso apoiar a interrupção da gravidez, vige no candomblé também o princípio da lealdade da liturgia e da solidariedade humana, temos sempre que nos recordar que (…) à religião, o ori e os orixá nos concedem axé para vencer as dificuldades humanas e espirituais.
Seguimos no candomblé a vontade sagrada e antes de decidir o que fazer, como fazer e por que fazer, o iniciado ou sacerdote deve buscar sustentáculo com seu Babalorixá e verificar se deve ou não realizar a interrupção através do jogo de búzios. Entretanto, o consulente não pode violar a lei positiva do Estado.
Reclamam os movimentos a favor do aborto a autonomia da vontade em detrimento da vontade do ovo, embrião ou feto. Esquecem que uma vez interrompida a gravidez, não podemos reparar futuras lamentações. Digo futuras lamentações em razão de uma recente pesquisa apontar que as mães que foram submetidas a interrupção da gravidez ficaram arrependidas.
Atos como matar alguém, cometimento de suicídio é desmerecer a vida e afrontar nossos princípios. Ao homem não é dada a faculdade de decidir quando e como ele vai morrer, vamos mais longe, os órgãos pós-morte também não pertence ao morto e sim ao acervo sagrado espiritual. Desse modo indago “se você não possui autonomia sobre seus órgãos e quiçá a vida que é irrenunciável, indisponível, inviolável e indispensável, o que leva você a concluir a determinar-se sobre a vida e morte de outrem?”
Devemos separar as decisões técnicas legiferante das religiosas – todavia o império da norma estatal deve ser seguida, sob pena de praticar crime. O Brasil é um país laico não possuímos uma religião oficial e admite qualquer manifestação religiosa ou filosófica – art. 5, VI, VIII da Constituição Federal – Desse modo o legislador pátrio deve legislar conforme os ditames constitucionais.
Nota: observamos que a temática nos candomblés é controvertida, subsiste correntes a favor e contra a interrupção da gravidez.

CONCLUSÃO.

O candomblé é uma religião pautada na origem e repudia qualquer conduta que vise ameaçar ou delapidar vidas. No caso vivênciado na última semana, no qual um menina fora sujeita a interrupção da gravidez, temos o choque de dois bens: a vida da gestante (considerando o risco da gravidez) e o material humano já concebido. Neste caso para encontrarmos uma solução é necessária muita ponderação, qualquer que seja a decisão (repito neste caso) é aceitável, seja conservar a vida do embrião ou a vida da mãe precoce. No caso em tela a opção foi a da mãe não encontrar óbice em apoiar a decisão, porquanto houve a decisão de preservar a vida nascida em detrimento do fruto da concepção. A fundamentação desta conclusão esta baseada no embate entre duas vidas viáveis.
Por fim o candomblé possui raízes no velho continente Africano emanado de sabedoria sagrada e que durante séculos fora aperfeiçoado vislumbrando a perfeição humana.
Um Omo orixá pede a benção ao seu ori proferindo o itan:

- “(…) TÁ-A FI NLÓKO RE, TÁ-A FI NLÁYA RE (…)”.
Relacionamentos, filhos e todas as coisas boas da vida.

Egbon OmoOde.

Fonte: http://egbonomoode.blogspot.com/2009/03/candomble-vida-e-interrupcao-da.html
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A benção aos meus mais velhos.

Obedecendo ao pedido do Fernando, começo a desenvolver a discussão sobre este polêmico tema que aborda tanto a sociedade, como a nossa religião: o aborto.
Que responsabilidade o senhor me indicou, hein Babazinho?

Mas vamos lá: queridos, o aborto, como tema a ser discutido, é deveras polêmico e sempre puxa para mais de um viés a ser analisado e considerado.
Não falamos apenas de conceitos religiosos, mas também de conceitos sociais que devem ser diretamente internalizados neste assunto.

O Candomblé, por um lado, defende o direito à vida, por outro, o livre-arbítrio; livre-arbítrio este que não manuseia apenas a nossa liberdade de escolha, mas um conceito muito mais forte: o de sermos MORALMENTE RESPONSÁVEIS pelas nossas atitudes e ações. É a própria ética que pede espaço neste conceito também.

Eu não tenho cunho radicalista (mesmo que eu tente). A priori, sou a favor da legalização do aborto sim. Sei que a minha religião é contra este ato, sei que ele fere a continuidade de toda uma ancestralidade. Só que eu sei também, que, por outro lado, mesmo com todo este aprendizado que nós temos, Olorun deu-nos a capacidade de refletirmos e raciocinarmos sobre o que “poderia” ou o que “poderá” ser melhor para nós. São as escolhas. Por mais que o caminho já esteja traçado, podemos fazer as nossas modificações, caso assim desejemos, não é isso? Sendo assim, outras pessoas, de outros ou sem nenhum credo, podem pensar diferente e querer agir diferente. Por mais que eu não aprove, eu respeito.

Só que este meu conceito é um conceito, uma opinião “local” e não “global”.

Globalmente falando, o país, a constituição… “Não é café pequeno”, como diria minha avó sem se importar com a concordância. O tema deve considerar classes sociais, responsabilidades sociais, educação (não em sentido de escola, mas em sentido de ética, de pensar), saúde pública, etc.

O que mais temo, quanto a uma futura legalização, é a banalização do ato. Esta banalização mexe não apenas com o aborto em si, mas o possível aumento no índice de doenças transmissíveis, por ausência da camisinha, principalmente entre os jovens, que vos digo, somos imensamente irresponsáveis. Afirmo isso por que vejo o cotidiano e as estatísticas também comprovam.
A questão do aborto é um problema de saúde pública e creio que a sociedade, as classes sociais como um todo, não têm, ainda, princípios éticos para encarar esta possível legalização de frente.

Não gosto de cabrestos, maneiras únicas de pensar ou de verdades absolutas. Nossa religião, nas nossas casas, barracões, em meio à nossa juventude (os mais cabeças ocas quanto a este assunto), aos nossos mais velhos, egbé em geral, devem abordar – restringido-me à este tema – assuntos que priorizem a saúde sexual. Não é mostrar apenas que a nossa religião é contra a interrupção da gravidez, como fazem as outras religiões que impõem conceitos com o dever de serem seguidos cegamente pelos seus adeptos.
A nossa religião, com todo este conceito lindo de respeito à essência de cada indivíduo, deveria (atrevo-me a pontuar):
• Mostrar os riscos do aborto, pois este ato não deixa de ser uma intervenção no nosso organismo tão perfeito quanto ao seu funcionamento;
• Mostrar o quanto a preservação, o constituir da família é importante e sagrado (além de ser saudável!);
• Mostrar que se deve ter responsabilidade. Responsabilidade consigo e com o próximo. Deveríamos aprender mais sobre o que seria ética, né? :) E também sobre consequência;
• Mostrar que doença transmissível é ruim, mata, aleija, amputa, diminui auto-estima, intervém nas nossas relações sociais e podem ser pegas justamente no ato que resultou no embrião lá no útero da criatura.
São muitas as situações, queridos. Não sei se viajei na questão, voei mais alto que deveria, mas creio que o caminho é por aí.

Penso, como jovem nascida nessa era da correria, nesse caos chamado modernização e ao mesmo tempo envolvida (apaixonada) com uma religião que apela pelo tempo da natureza, da ancestralidade, pelo respeito às tradições, que a modernização está aí pra isso: lutarmos pelo mantimento das nossas tradições, da nossa liturgia, e por outro lado, refletirmos sobre os atos e assuntos desta sociedade moderna que nos cerca e que também não deixa de nos integrar, sem deixá-los influenciar negativamente (mais do que já influenciou) na manutenção da essência do Candomblé.
Nosso papel é muito mais difícil hoje do que ontem, meus irmãos.

A benção,
Dayane


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